Foram várias centenas de pessoas que estiveram no dia 20 de Dezembro ao Centro Cultural de Belém para assistir ao lançamento do livro “Todos os portos a que cheguei”, no qual Pedro Vieira, traça o percurso de Vasco Rocha Vieira (127/1950), o último Governador de Macau.
No prefácio do livro, Ramalho Eanes escreve a determinada altura: «Merecedor era Vasco Rocha Vieira da distinção da Ordem da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito com que a Nação assinala, ao Povo, os seus melhores filhos, para a todos servirem pelo menos de exemplo e de motivo de reflexão. Tal não aconteceu, o que, só por si, já é surpreendente e incompreensível; mas mais surpreendente e mais incompreensível foi assistir à tentativa de assassinato cívico de um homem que tanto serviu o País, perpetuado através da manipulação comunicativa da chamada questão Fundação Jorge Álvares».
Na contra-capa do livro pode ler-se: «A memória colectiva guarda a imagem de Vasco Rocha Vieira com a bandeira nacional colada ao peito, em 19 de Dezembro de 1999, a poucas horas do retorno de Macau à soberania da República Popular da China, expressão de um processo de transição bem sucedido e último acto de uma governação que constitui um ponto alto da história de Portugal e motivo de orgulho para os Portugueses.
Outra seria a memória se, em 1996, Jorge Sampaio tivesse nomeado um novo Governador para o território, como inicialmente pareceu ser sua intenção. Assim não aconteceu e o recém-eleito Presidente da República confirmou no cargo Vasco Rocha Vieira, que havia sido escolhido cinco anos antes por Mário Soares para Governador, num período complexo da vida de Macau. No entanto, a partir de então, Rocha Vieira ver-se-ia confrontado com problemas inesperados e atitudes de difícil explicação no seu relacionamento com o Presidente Sampaio. Muitos aspectos desse relacionamento surgem agora à luz do dia, permitindo aos leitores ter uma visão mais completa do papel do último representante da soberania portuguesa em Macau no encerramento do ciclo do Império.
O presente livro não se limita ao período de cerca de nove anos no Palácio da Praia Grande, mas percorre outras etapas da vida pública de um português que deixou uma marca de competência e de carácter no exercício das suas responsabilidades. Recuando no tempo, o testemunho de Vasco Rocha Vieira introduz-nos ainda nos bastidores da intervenção institucional ou simples cidadão em fases marcantes da vida do País, do 25 de Abril de 1974 em Macau ao 25 de Novembro de 1975 ao lado de Eanes e de chefe do Estado-Maior do Exercito com apenas 36 anos a Ministro da República para os Açores nos anos de consolidação da autonomia regional.
Sem deixar de ser um livro sobre um menino que nasceu em Lagoa, cresceu em Moçambique até aos dez anos, foi aluno do Colégio Militar e escolheu a carreira das Armas, este é, antes de mais, um livro sobre a história recente de Portugal e sobre um dos seus protagonistas, Vasco Rocha Vieira».
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