Em entrevista à “Visão”, Pedro Lynce (21/1952), Professor Emérito do Instituto Superior de Agronomia e deputado do PSD, fala dos problemas que afectam a agricultura nacional, cuja produção tem diminuído, de forma significativa nos últimos dias, e considera que “a agricultura atravessa a pior crise dos últimos 30 anos”.
Para Pedro Lynce, a justificação desta crise reside na “diminuição de áreas semeadas e baixos preços pagos aos agricultores, mas as verdadeiras causas residem em decisões politicas estruturais que têm a ver com a reforma da PAC 2003 e os Acordos estabelecidos com a Organização Mundial de Comércio, sem que tenha havido o cuidado de seguir uma Politica Agrícola Nacional que atenuasse uma situação previsível”.
Pedro Lynce considera que “é possível produzir mais, embora as nossas condições no que se refere à maioria dos produtos alimentares não nos permitam sem autosuficientes”.
E afirma que “num mercado globalizado, os produtos que podemos produzir em condições económicas concorrenciais são os típicos de clima mediterrânico, designadamente, legumes, frutas, azeite, vinho, madeiras…”
Em relação ao cada vez menor número de jovens no sector agrícola, refere que “além dos baixos apoios concedidos à agricultura, não há apoio aos jovens agricultores desde 2004”.
No que diz respeito ao Alqueva diz que “vai permitir dispôr de água na época em que temos temperatura e radiação mais favoráveis, para o desenvolvimento das culturas, mas a alteração das áreas de sequeiro para o regadio necessita de elevados investimentos por parte dos agricultores (um valor médio de € 2 500/ha), além de formação para lidar com as novas culturas”.
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